A Persiana
Instalação. Tapassol de madeira, persiana metálica, luz verde, reflexos luminosos, alçapão. Medidas variáveis.
Um pequeno quarto, de tom rosado, sem luz, colado à cozinha, imponente pelo seu vazio, chamou a si a sua história. A janela selada pelo tempo, ilumina o compartimento de uma casa antiga, cheia de histórias por descobrir, cheia de histórias por contar, de segredos por desvendar. Este quarto, com o seu soalho poeirento, e o cheiro a mofo, impôs-se como espaço em si. A naftalina que se pensava sublimar a memória, perdeu-se no tempo. O alçapão, o diálogo de espaços interrompidos, os espaços dentro de espaços, os esconderijos, os segredos, as passagens secretas, os pequenos tesouros por encontrar… A surpresa e a curiosidade levaram a que se descobrissem duas persianas danificadas e um pára-choques suspensos, sobre um compartimento cheio de coisas, de objectos, esquecidos e abandonados. Um novo espaço abriu-se para cima. A cunha de madeira deu lugar a uma passagem, o espelho deu lugar aos reflexos luminosos dos automóveis que passam na rua, que invade o quarto. A Persiana surge como testemunho da descoberta e dialoga com a janela, através da luz exterior, que é filtrada pelo tapassol poluído e estropiado. O chão abriu-se.
A Persiana resulta do acaso.
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