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Há mar e mar, há ir e voltar

Videoinstalação.

Todos os dias, na babujinha do tempo, os calhaus rolados irregulares e amaciados pela erosão, tornam-se cada vez mais pequenos e roliços ao som do vento e dos batimentos cardíacos das ondas do mar. O formar e desintegrar das grandes olas azuis marinhas, que rebentam na praia, reveste-se de grande intensidade simbólica quando pensamos no vaivém da agulha de Penélope que aguarda pacientemente por Ulisses, seu belo amado que partiu para longe, deixando-a apenas resignada ao acto ritual cíclico de tecer e destecer a colcha.

O ir e vir da agulha, a constante construção e desconstrução da superfície porosa, formada pelo entretecer das linhas, constitui paralelo com a constante ida e vinda de ideias, com o avanço ou retoma delas.

 

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